Analisamos 21.571 citações de URL de seis modelos de IA e encontramos oito coisas. Uma citação é cada link que um modelo mostra como fonte da resposta: se uma resposta lista sete fontes, contamos sete. A mais incômoda das oito: nenhum site de marca passou de 10% das citações da própria categoria. A mais útil: a citação típica não é a sua home, é uma página interna e específica. E a que mais nos separa do que já está publicado: o blog é o tipo de conteúdo mais citado em volume e o penúltimo em posição dentro da lista de fontes. Este artigo apresenta os oito achados com o dado mais forte de cada um, e todos levam à análise completa.
As 20 páginas, com todas as tabelas e as 26 referências.
A citação típica não é a sua home
01. Os modelos citam páginas internas, limpas e específicas
Entre 67,8% e 75,2% das citações apontam para páginas que estão a dois ou mais níveis de profundidade dentro
do site. Ou seja, não para exemplo.com nem para exemplo.com/blog, mas para
exemplo.com/blog/como-medir-geo. 99,98% das citações usam HTTPS, 94,1% não terminam em uma extensão
de arquivo e só 4,2% carregam parâmetros no endereço.
Isso separa duas coisas que costumam ser confundidas: um modelo citar a sua empresa, ou citar uma resposta específica que você publicou. A segunda é bem mais frequente, e isso muda onde vale investir.
O que dá força ao achado não é o percentual, é a repetição. O pico na profundidade 2 aparece igualmente nítido nos dois conjuntos, e esses dois conjuntos compartilham apenas 3,7% das suas URLs. Não é um artefato de um instrumento nem de uma categoria. A implicação é chata e difícil de vender: boa parte do trabalho de preparo para IA é higiene de arquitetura. Endereços limpos, estáveis e específicos. Não tem truque aqui, tem um requisito de entrada que muitos sites ainda não cumprem.
Ver a análise completa no estudo, seção 02
02. O blog ganha volume e perde posição
Quando um modelo responde, ele lista as fontes em uma ordem, e essa ordem não é cosmética: a primeira é a mais visível e, em várias interfaces, a única que aparece sem expandir o resto. Quase nenhum estudo publicado mede isso. Eles medem se você apareceu. Nós adicionamos onde, e a foto muda.
| Tipo de página | Citações | Chega ao 1º lugar | Posição média |
|---|---|---|---|
| Homepage | 1.165 | 14,2% | 5,9 |
| Guia ou recurso | 2.436 | 12,5% | 8,4 |
| Redes e vídeo | 1.835 | 11,4% | 7,5 |
| Página de produto | 4.841 | 8,6% | 8,5 |
| Blog da empresa | 8.139 | 7,5% | 10,2 |
| 411 | 6,8% | 7,4 |
O blog da empresa tem vinte vezes o volume dos sites de referência e menos de um terço da taxa de primeiros lugares deles. É o tipo de conteúdo mais citado do estudo e um dos últimos em qualidade de lugar. E a ordem importa mais do que parece, porque o clique é raríssimo: a Pew Research descobriu que só 1% dos usuários clica em algum link dentro de um AI Overview. Se ninguém clica, o valor da citação se concentra na visibilidade do lugar que ela ocupa.
O blog domina as citações de IA e o blog ganha as citações de IA são duas afirmações diferentes, mas a indústria usa as duas como sinônimo. Propomos separar alcance (a gente aparece?) de qualidade do lugar (a gente aparece primeiro?). O blog otimiza o primeiro e é medíocre no segundo. Isso não diz pare de fazer blog. Diz: pare de medir só menções, e não espere que o blog te dê o primeiro lugar, porque estruturalmente ele não dá.
Ver a análise completa no estudo, seção 03
Quatro modelos citam sobretudo o blog. O ChatGPT, não
03. Não existe uma URL para todos os LLMs
Qualquer combinação de modelos que a gente pegue coincide em apenas 3,5% das URLs exatas que cita. No nível de domínio a sobreposição sobe para 10,4%. Dito de outro jeito: eles podem confiar nos mesmos sites, mas raramente escolhem a mesma página.
| Modelo | Citações | Blog | Produto | Homepage | Redes e vídeo |
|---|---|---|---|---|---|
| Claude | 2.909 | 42,5% | 28,2% | 6,9% | 0,5% |
| Google AI Mode | 2.514 | 39,1% | 23,4% | 5,6% | 12,1% |
| ChatGPT | 2.151 | 12,6% | 31,3% | 10,6% | 0,7% |
| Gemini | 1.567 | 38,7% | 22,4% | 16,5% | 3,1% |
| Perplexity | 1.477 | 33,1% | 30,6% | 7,0% | 4,7% |
Classificação por tipo de página e tipo de site sobre as 10.618 citações do conjunto multi modelo. 97% das citações ficaram identificadas.
Quatro dos cinco citam sobretudo o blog da empresa, com pesos que vão de 33,1% a 42,5%. O ChatGPT não: a categoria que ele mais cita são páginas de produto, com 31,3%, enquanto o blog dele chega a apenas 12,6%. Somando guias, PDFs e documentação, 62% do que o ChatGPT cita é material de produto.
A outra diferença grande é a social, e agora sabemos do que ela é feita: o Google AI Mode vai a 12,1%, divididos em 6,8% de redes, 3,6% de vídeo e 1,7% de LinkedIn. O Claude soma 0,5% entre as três. Vinte e quatro vezes de diferença. Isso não é um ajuste de porcentagem, é outra prioridade de conteúdo.
A consequência comercial é mais fina do que parece: não dá para prometer que a mesma URL ganha em todos os LLMs. Há terreno compartilhado, sobretudo em páginas de produto. O que se monta é um portfólio: tipos que servem a vários, formatos onde se especializa, e medir modelo por modelo.
O que cada modelo cita, um por um
04. Ninguém é dono da conversa, e o seu site menos ainda
O domínio mais citado de todo o estudo representa 3,6% do volume. Nem o YouTube, que lidera, chega a 4%. São necessários 500 domínios para cobrir metade das citações. Não existe oligopólio: a cauda longa é o mercado, com 7.282 domínios competindo.
Agora o número que importa. Quando medimos quantas citações de uma categoria apontam para o site de uma marca dessa mesma categoria, nenhum domínio de marca passou de 10%, e a média foi de 3,3%. Os 96,7% restantes ficam com terceiros: mídia, fóruns, órgãos públicos, plataformas e concorrentes. Sua marca não está na conversa. Está sendo mencionada por outros, ou não está.
A indústria reporta que sites de marca são entre 38% e 70% das citações, dependendo do modelo. Esse número e o nosso estão os dois corretos, e medem coisas diferentes. Sites de marca é simplesmente a soma de todos os sites comerciais do mundo: uma empresa, seus concorrentes, e qualquer companhia relevante para a pergunta. Que metade das citações do ChatGPT vá para sites corporativos não diz nada sobre quantas vão para os seus. Se alguém escuta 50% e o painel mostra 4%, a conclusão natural, e errada, é que o time está falhando.
O trabalho de Chen, Wang, Chen e Koudas, da Universidade de Toronto, documenta o mesmo por outro ângulo: um viés sistemático dos buscadores de IA em direção a fontes de terceiros com autoridade, acima do conteúdo próprio de marca. A consequência prática não é se conformar. É parar de tratar o site próprio como canal principal de visibilidade em IA e passar a tratá-lo como um entre vários, junto com presença em mídia, em vídeo e nas fontes institucionais da categoria.
Ver a análise completa no estudo, seção 05
Com a metodologia, as tabelas por indústria e o que o estudo não diz.
As duas caras do Google
O Google tem duas superfícies que se comportam de forma bem diferente e que vinham sendo medidas como se fossem uma só: o AI Overview, o resumo que aparece acima dos resultados assim que você busca, e o AI Mode, o chat de continuação para onde você vai ao perguntar de novo. Os três achados a seguir vêm de um experimento paralelo: 518 buscas no Google, entre julho e agosto de 2026, cobrindo dez indústrias e dois mercados. De cada uma capturamos as quatro superfícies da mesma tela e da mesma sessão, com GEO Observer: o AI Overview, os resultados orgânicos, os anúncios pagos e o AI Mode ao perguntar de novo. Esse desenho é o que permite calcular a sobreposição por página dentro da mesma busca, em vez de comparar capturas de momentos diferentes.
05. O AI Overview repete seu SEO. O AI Mode descarta
47,45% das citações do AI Overview já estavam nos resultados orgânicos da mesma busca. Ao perguntar de novo e passar para o AI Mode, só sobrevive 19,98% dessas páginas orgânicas. E o AI Mode não só descarta: ele também multiplica. A média passa de 7,53 citações por AI Overview para 14,98 por turno de AI Mode, e 85,29% dessas citações não estavam nem no orgânico, nem nos anúncios, nem no AI Overview daquela busca.
Isso resolve uma contradição que a indústria carrega há dois anos. Quando um estudo reporta que 76% ou 97% das citações de IA vêm do top 10 orgânico, ele está olhando AI Overviews. Quando outro reporta 12% ou 17%, está olhando AI Mode ou ChatGPT. Eles não se contradizem: descrevem superfícies diferentes do mesmo sistema, e o rótulo citações de IA joga todos no mesmo balde.
Ver a análise completa das 518 buscas
06. Os anúncios pagos não existem para a resposta generativa
Os anúncios foram 0,03% das citações do AI Overview. E a persistência até o AI Mode foi de 0% sobre 75 páginas pagas, sem uma única exceção em dez indústrias. A explicação mais plausível é de gênero textual, não de política de plataforma: um anúncio é escrito para converter alguém que já decidiu clicar, e uma citação precisa soar como uma fonte que responde a pergunta.
A implicação orçamentária é concreta. Se alguém justifica investimento em mídia com o argumento da presença em respostas generativas, este dado contradiz de forma direta.
Ver a análise completa das 518 buscas
07. O AI Overview superpondera vídeo muito acima do SEO
O YouTube pesa 1,72% nos resultados orgânicos e 7,72% nas citações do AI Overview. Mais de quatro vezes. Somado às redes sociais chega a 16,08%. Reddit e Wikipedia juntos, na mesma amostra, somam 1,57%. Existe uma ideia instalada de que a resposta generativa privilegia fóruns e enciclopédias, e nestes dados é o contrário por uma ordem de grandeza.
O AI Overview não herda as proporções do SEO. Ele superpondera ativamente vídeo e conteúdo social. Se a sua categoria se presta a isso, um vídeo bem estruturado pode pesar mais que um artigo otimizado à moda antiga.
Ver a análise completa das 518 buscas
O AEO tem piso, não escada
08. Existe um limiar para cruzar, e depois um platô ruidoso
Uma pontuação AEO é uma nota de 0 a 100 sobre o quanto uma página está preparada para ser citada. Combina sinais técnicos, de formato e de identidade. Quase todas as ferramentas do setor, a nossa incluída, calculam algo parecido, e a promessa implícita é que subir a pontuação sobe a chance de ser citado. Cruzamos 1.486 URLs com pontuação conhecida contra as citações reais que receberam, e isso é verdade só em um trecho.
| Nota da página | Taxa de citação |
|---|---|
| A · 85 ou mais | 11,9% |
| B · 70 a 84 | 2,4% |
| C · 55 a 69 | 17,5% |
| D · 40 a 54 | 2,8% |
| F · menos de 40 | 0% |
O piso é taxativo: nenhuma página abaixo de 40 pontos recebeu uma única citação. Acima disso, a pontuação deixa de ordenar qualquer coisa. Páginas com nota C são citadas sete vezes mais que as de nota B, que estão melhor pontuadas. Não existe uma escada que sobe com a pontuação. Existe um degrau e depois um platô ruidoso.
O dado mais incômodo está no componente de formato. Ao ordenar os artigos pela pontuação de estrutura e apresentação, a relação com a citação real vai no sentido contrário do esperado: o quartil pior pontuado é citado 9,1% das vezes, e o quartil melhor pontuado, 0%. A explicação provável não é que o formato faça mal, mas que a pontuação captura outra coisa. As páginas que tiram 100 em estrutura são artigos longos e exaustivos, do tipo que uma marca produz para ranquear, e o que um modelo extrai é um trecho curto. As páginas citadas do nosso conjunto têm 844 palavras em média contra 2.119 das não citadas.
A evidência externa aponta para o mesmo lugar. A Ahrefs rodou um estudo causal com 1.885 páginas que adicionaram dados estruturados contra 4.000 de controle: efeito nulo no ChatGPT, nulo no Google AI Mode e levemente negativo nos AI Overviews. E o guia do Google sobre otimização para funções generativas, publicado em maio de 2026, nomeia explicitamente cinco táticas como desnecessárias, entre elas o arquivo llms.txt e a ideia de que dados estruturados sejam um requisito. O Reddit, para fechar o ponto, tira 23 de 100 no checklist e é um dos domínios mais citados do estudo.
Ver a análise completa no estudo, seção 07
O que muda se isso for verdade
Os oito achados apontam para o mesmo lugar, e não é onde a indústria diz que é para olhar. Não é um checklist técnico, porque acima de 40 pontos o checklist deixa de explicar quem ganha. Não é uma página otimizada para todos os modelos, porque eles não coincidem nem em 4% das URLs que citam. E não é o seu site, porque nenhum domínio de marca passou de 10% das citações do próprio setor. A visibilidade em IA se constrói nas fontes de terceiros que o modelo já consulta: mídia, vídeo e as referências institucionais da categoria. Seu site é uma dessas fontes, não a principal.
A primeira coisa que dá para fazer com isso não custa nada: parar de medir só se você aparece, e começar a medir em que lugar. O conjunto Google ao vivo foi capturado com GEO Observer, nossa extensão do Chrome. É grátis, não tem limite de uso, e captura as mesmas superfícies que usamos aqui. Se você quer ver o que a IA está citando de você, e em que lugar, instale GEO Observer.
Oito achados, cinco hipóteses e 26 referências, em 20 páginas.
Dashcrab GEO Citation Research 2026. Corte de dados: 11 de agosto de 2026. As 21.571 citações saem de dois conjuntos que não misturamos: 10.618 de consultas de monitoramento em cinco modelos e 10.953 de capturas reais do Google, que compartilham apenas 307 URLs entre si. O experimento das 518 buscas é reportado à parte e não entra no total. As citações vêm de programas de monitoramento ativos na plataforma e do trabalho de campo com GEO Observer. Não identificamos marcas, domínios próprios nem categorias individuais: todos os números são reportados de forma agregada ou anonimizada. O estudo é observacional e não demonstra causalidade em nenhuma direção. A metodologia completa está no PDF, publicado em espanhol. Os termos GEO e AEO vêm do paper de Princeton, Georgia Tech, Allen Institute e IIT Delhi e do jargão de SEO, respectivamente.